Seus lábios


E lá estavam eles, sentados naquela mesa de bar ainda melada da última cerveja que alguém derrubou. Pediram mais uma daquela garrafa de vinho barata, pra começarem a dizer coisas que não tinham dito há algum tempo.
A vida passa em uma ou duas horas de conversa, aquela troca de olhares e até por entre as covinhas de um sorriso. Duas, três garrafas, e eles nem se lembram que talvez precisem acordar no dia seguinte.
Lábios dormentes para ela ainda eram um sintoma de que estava ficando bêbada, devia ser hora de pedir uma água.
– Seus lábios já adormeceram? – ele perguntou.
Ela discretamente mordeu os lábios pra ter certeza, pensou por um segundo ou dois na resposta.
– Quase totalmente anestesiados – essa não fora a resposta que tinha formulado, mas ali e com o vinho, ela já não tinha mais controle do que dizia. Essa era a intenção.
Ele a olhou fixo dentro de seus olhos por alguns instantes. Ela o encarou, mas desviou os olhos em seguida, ainda ficava sem jeito com essas trocas de olhares. Ele debruçou-se sobre a mesa, segurou seu queixo, olhou mais uma vez dentro dos olhos dela, e então puxou seus lábios para os dele.
Os pensamentos dela se perderam no tempo, era fácil fugir do mundo das suas ideias quando os lábios dele se moviam sobre os dela. Ela precisava recuperar o fôlego. Sabia que nada dura pra sempre, mas enquanto estivessem ali, aquele seria o seu para sempre.
– Sentiu isso? – perguntou ele, para garantir que os lábios dormentes não tinham estragado tudo.
– Quase – mentiu.
Ele não desistiria até que ela sentisse. Ela sabia.

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