Quando me apaixonei por você

Demorei a entender que eu estava louca e perdidamente apaixonada por você. Você não é o tipo de cara por quem eu perderia a cabeça. Na verdade, eu jurava que não perderia a cabeça por nenhum cara. Mas por você eu perderia. Eu amava o tom claro nos seus olhos, seu cabelo levemente comprido e desarrumado sobre a testa, e seu jeito de andar meio desajeitado tipo menino moço que faz pose de badboy. Era engraçado, mas em você tinha um jeito suave e encantador. Você não tinha o corpo malhado desses caras que só falam de regime e academia, porque você nem gostava de academia. Na verdade, você odiava regime, amava cerveja e jamais viveria sem chocolate. Você se considerava gordinho, e resmungava consigo mesmo às vezes achando que precisaria cuidar do corpo, só porque eu era mais magra que você. Eu me encaixava perfeitamente no seu colo, e não mudaria nada dele. Você tinha um jeito doce de homem decidido e que sabe o que quer. Do tipo sem pose, sem aquela classe dos príncipes encantados com os quais eu sonhava, mas eu me perdia com o toque suave dos seus dedos no meu rosto. Chegava a corar as bochechas e me perder no caos das minhas ideias quando você enroscava os dedos no meu cabelo. Apesar de tudo isso, eu demorei a entender que aquele aperto no peito era meu coração que batia descontroladamente quando você chegava.
Discutimos naquela noite por causa daquela festa que você foi comigo. Eu disse que você teria que vestir aquele abadá colorido que não combinava nada com você, porque caso contrário, não nos deixariam entrar. A festa, na verdade, não tinha nada a ver com você – e nem comigo. E você não entendia porque não poderia usar a sua camisa – nem eu, porque preferia você nela. Você também não conseguia entender porque eu queria ir naquele lugar – e nem eu. Mas nós fomos, porque apesar de tudo você sempre dizia “faço tudo pra ver esse sorriso no seu rosto”. E naquela noite, você disse, mais uma vez.
Eu não sei porquê, ou talvez não queira lembrar o motivo, mas discutimos mais uma vez naquela noite. Talvez aquela não tivesse sido a nossa noite. Me perdi da você na festa, eu bebi e fiquei bêbada porque você não estava ali pra reparar que eu estava passando dos limites. Porque você não estava do meu lado pra notar que eu, incessantemente, tocava meus lábios e saber que eles já estavam dormindo, e era hora de tirar o copo da minha mão.
Quando te encontrei, olhei pros seus olhos e cai desmaiada nos seus braços. Eu realmente tinha passado dos meus limites, e a partir dali, meu limite era seu ombro. Estava chovendo e você me carregou no colo, de lá até seu carro e dali pra casa. Acordei enrolada num cobertor, que era envolvido pelos teus braços, e a sua respiração bem sobre meu ombro. Você se desculpava por ter deixado eu me perder, e logo me perguntava se eu estava bem. Eu me virei e olhei seus olhos que pareciam mais claros naquele momento, não sabia responder à sua pergunta, mas sabia que era idiotice você se desculpar pela minha falta de controle. Seus olhos fizeram com que eu me perdesse e assim, perdesse as palavras. Mas foi naquele instante, naquele pequeno espaço de tempo, que eu descobri que aquele aperto que eu sentia era o coração que saltava como louco, e que eu estava perdidamente apaixonada por você.
Coloquei minha mão sobre a sua barba por fazer que tinha um tom que não combinava com seu cabelo, mas eu descobri que amava essa combinação. Passei os dedos sobre seu nariz e boca, contornei seus olhos com um toque, e parei a palma das mãos sobre seu pescoço. Queria dizer que te amava, mas não disse. Talvez você soubesse. Você tinha o dom de saber tudo aquilo que eu não sabia dizer. Não sei se lia pelos meus olhos ou pelos traços do meu rosto, ou se simplesmente sentia o coração saltar do meu peito quando eu o encostava no teu.
Eu amava você. Amava apesar de odiar o seu cigarro, porque ele me dava medo de te perder; eu amava você, mas eu odiava seu jeito grosso de falar e dizer o que queria, mas aquilo me passava segurança e eu amava você; amava você apesar de odiar você evitar aquelas discussões só porque elas pareciam bobeira – e eram; eu odiava a forma como você me olhava, porque aquilo fazia meu peito arder, e eu te amava; eu odiava o cheiro do cigarro nos seus dedos que se misturava com o cheiro do seu perfume, mas era encantador porque era em você. Eu te amava, apesar de odiar cada defeito encantador seu, porque eles eram perfeitos em você.
Eu queria te dizer que te amava. Mas não disse. Você me beijou e eu logo te abracei forte como se o mundo todo fosse você – naquele momento era. Abracei tão forte porque queria te dizer que eu não queria te perder e nem me perder de você. Naquele instante eu sabia que te entregava um pedaço do meu coração e que esse pedaço de mim seria seu pelo resto daquele nosso pra sempre.
Eu te abracei forte, tão forte, porque queria dizer que eu nunca queria te perder. Eu não disse. Mas eu não queria te perder.

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* Only know you love her when you let her go

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