Ele

O reencontrou num jardim cheio de árvores frondosas e uma grama macia, sob o céu azul de quase outono. Parecia clichê – com certeza era. Se entreolharam como se nunca tivessem se perdido de vista, um minuto, dois, três, não sei. Um metro e meio de distância um do outro, e um sorriso torto no canto de boca. Nem uma palavra e um abraço. Ele repetia em sua cabeça “não sou eu!”. E ela se torturava “por que não é você?”.

Antes que pudessem começar a chorar, ela se largou na grama. Seus longos cabelos tingidos por muitas fases de rebeldia se esticaram e coloriram o verde do jardim. Ele se deitou ao seu lado. Olhou pra cima, como quem procurava o que ela queria encontrar.

– O segredo tá nas nuvens, Pequena – ele disse. Ela não entendeu. – Todas elas se movem, mas nem todas pro mesmo lugar. Vê? – esperou uma resposta.

– Talvez. – respondeu ela.

– Você e eu, na mesma direção, em caminhos diferentes – suspirou, como se pra ele aquilo fosse um absurdo. – O vento pode ser bem cruel às vezes.

Ela não queria conversar. Virou o seu corpo de lado e posicionou sua cabeça sobre as costelas salientes dele. Encaixe perfeito. Seus olhos não se moveram. Ele pegou a mão pequena dela e segurou pra mais perto do seu rosto.

Ela e seus olhos negros continuaram tentando entender o que ele quis dizer sobre as nuvens. Ele e seus olhos verdes tentando entender a crueldade do vento.

Perfeitos um para o outro. Imperfeitos juntos. Doce Vento!

– Para P.R., com saudade.

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Casais (93)

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